A alforria dos impostos. Estamos livres?

Diário da Manhã
Sandro Mabel

  27/05/2009
 
 
Hoje, 27 de maio, é um dia em que se deve refletir, com profundidade, sobre qual País queremos para as próximas gerações e como devemos agir para transformar o que nos impede de crescer e realizar nossos sonhos. A partir desta quarta-feira, começamos, de fato, a trabalhar para nós mesmos. Até então, todo o suor derramado pelo povo brasileiro serviu para abastecer os cofres do governo federal, Estados e municípios. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), do começo do ano até ontem, trabalhamos, exclusivamente, para pagar os impostos. São 147 dias de sacrifício para cumprir as obrigações. O que intriga ainda mais a sociedade é que mantemos uma máquina administrativa quase sempre inoperante, aquém do ideal. A realidade torna-se cruel quando observamos que 40,15% do rendimento bruto do cidadão estão indo para o pagamento de tributos diretos e indiretos. Somos realmente um povo trabalhador. Isso, nós sabemos há muito tempo. O duro é entender por que o brasileiro tem que trabalhar 50% a mais que os mexicanos, argentinos e chilenos para pagar os impostos. É uma máquina grande demais, pesada, que se arrasta na burocracia, num sistema tributário injusto, desigual, que privilegia a sonegação, a informalidade, e que pune a população que paga impostos e o setor produtivo, gerador de empregos e renda. O nosso modelo de arrecadação é leniente com alguns e covarde com outros. Não há equilíbrio. Como resultado disso tudo, os desejos da nossa gente em ter uma vida melhor vão ficando mais distantes. Os governos já faturaram mais de R$ 400 bilhões, somente esse ano, com os impostos. É muito dinheiro. É preciso mudar o que nos incomoda. Cabe a cada um a luta diária para transformar o que não vai bem. Essa é uma responsabilidade que não podemos delegar a qualquer que seja. Há meses estamos discutindo alterações no atual sistema de arrecadação e distribuição de impostos no Brasil, com o objetivo claro de corrigir os graves problemas existentes. O desequilíbrio inibe o crescimento econômico e social da população, corrói perspectivas de vida. A omissão produz graves consequências. Estamos com uma reforma tributária para ser votada na Câmara dos Deputados. Já debatemos o assunto em vários Estados. O relatório está pronto. Centrada na redução dos impostos, na eficiência, no que há de mais moderno, a proposta, agora, aguarda aprovação dos parlamentes. Deixemos de lado as diferenças políticas e o jogo individual ou de grupos.

Vamos aprovar a reforma tributária, tão fundamental para a Nação, para a sociedade, exausta de ser explorada. Mobilizem e cobrem dos seus representantes o compromisso de votar a reforma tributária. Fale com os seus deputados. Não deixemos perpetuar o erro, pois o custo é alto e compromete o futuro de todos nós. Nesse momento, nos sentimos alforriados. Mas olhem pra trás, o quanto foi difícil chegar ao dia 27 de maio de 2009. Com a reforma tributária, nós conseguiremos mudar esse quadro. Ainda há uma esperança.

Sandro Mabel é administrador, presidente do Sindicato da Alimentação de Goiás, deputado federal, líder do PR e relator da reforma tributária
   
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